Edileide GODOI (UFPB / PROLING / CIDADI)
edileidesgodoi@hotmail.com
Regina BARACUHY (UFPB / PROLING / CIDADI)
mrbaracuhy@hotmail.com
Tendo como pressuposto que os sujeitos inseridos em uma sociedade de discursos cada vez
mais efêmeros, estão submissos à liquidez da pós-modernidade e encontram na prática da
tatuagem, um lugar de retorno a si mesmo, o objetivo geral deste trabalho é analisar como o
sujeito tatuado se constitui e é produzido na revista Inked no período de 2010 a 2012. Essa
problemática se ancora nas seguintes questões: por que os sujeitos inseridos em uma sociedade
de discursos que se dissolvem mais rápidos que o tempo que leva para moldá-los, marcam seus
corpos tatuagens que o acompanharão por toda a vida? Será que, tais sujeitos, a todo momento,
disciplinarizados, normativizados por mecanismos de controle social, conseguem se subjetivar
pela prática da tatuagem? Para responder aos tais questionamentos, analisamos um corpus
composto por enunciados com materialidade sincrética (verbo-visual) em nove capas da Inked e
em algumas seções da revista, articulando-os a outras materialidades que se inscrevem
interdiscursivamente no interior do arquivo, a fim de discutir como são produzidos os jogos de
verdade que, sutilmente, ensinam e propõem ao sujeito modos de se comportar. As análises
subsidiam-se no referencial teórico da Análise do Discurso e suas ressonâncias no Brasil, a
partir das contribuições dos estudos foucaultianos em torno da constituição do sujeito, afetados
pelas relações de saber-poder. Além disso, pautamo-nos nas contribuições dos campos da
Semiologia Histórica, com Jean-Jacques Courtine, assim como nas do campo da Sociologia,
sobretudo com as ideias de Zygmunt Bauman e, ainda, recorremos ao campo dos Estudos
Culturais para discutir a questão da identidade numa perspectiva sócio-cultural e discursiva e a
prática da tatuagem na mídia. Os resultados evidenciam que os modos de objetivação
/subjetivação do tatuado na revista em pauta são produzidos por várias tecnologias do eu,
atravessados por discursos oficiais e ratificadas pelas práticas discursivas de biotecnologias
direcionadas ao corpo. Esta discursividade, sem conotação repressora, abre, cada vez mais,
espaço para práticas de liberdade e governo de si em processos de subjetivação do tatuado na
contemporaneidade.
Palavras–Chave: Análise do Discurso; Prática da tatuagem; Modos de objetivação/subjetivação
Palavras–Chave: Análise do Discurso; Prática da tatuagem; Modos de objetivação/subjetivação
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