segunda-feira, 23 de novembro de 2015

PRODUÇÃO DE IDENTIDADE E MODOS DE OBJETIVAÇÃO/SUBJETIVAÇÃO DO SUJEITO TATUADO NA REVISTA INKED

segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Edileide GODOI (UFPB / PROLING / CIDADI) edileidesgodoi@hotmail.com 
Regina BARACUHY (UFPB / PROLING / CIDADI) mrbaracuhy@hotmail.com 


Tendo como pressuposto que os sujeitos inseridos em uma sociedade de discursos cada vez mais efêmeros, estão submissos à liquidez da pós-modernidade e encontram na prática da tatuagem, um lugar de retorno a si mesmo, o objetivo geral deste trabalho é analisar como o sujeito tatuado se constitui e é produzido na revista Inked no período de 2010 a 2012. Essa problemática se ancora nas seguintes questões: por que os sujeitos inseridos em uma sociedade de discursos que se dissolvem mais rápidos que o tempo que leva para moldá-los, marcam seus corpos tatuagens que o acompanharão por toda a vida? Será que, tais sujeitos, a todo momento, disciplinarizados, normativizados por mecanismos de controle social, conseguem se subjetivar pela prática da tatuagem? Para responder aos tais questionamentos, analisamos um corpus composto por enunciados com materialidade sincrética (verbo-visual) em nove capas da Inked e em algumas seções da revista, articulando-os a outras materialidades que se inscrevem interdiscursivamente no interior do arquivo, a fim de discutir como são produzidos os jogos de verdade que, sutilmente, ensinam e propõem ao sujeito modos de se comportar. As análises subsidiam-se no referencial teórico da Análise do Discurso e suas ressonâncias no Brasil, a partir das contribuições dos estudos foucaultianos em torno da constituição do sujeito, afetados pelas relações de saber-poder. Além disso, pautamo-nos nas contribuições dos campos da Semiologia Histórica, com Jean-Jacques Courtine, assim como nas do campo da Sociologia, sobretudo com as ideias de Zygmunt Bauman e, ainda, recorremos ao campo dos Estudos Culturais para discutir a questão da identidade numa perspectiva sócio-cultural e discursiva e a prática da tatuagem na mídia. Os resultados evidenciam que os modos de objetivação /subjetivação do tatuado na revista em pauta são produzidos por várias tecnologias do eu, atravessados por discursos oficiais e ratificadas pelas práticas discursivas de biotecnologias direcionadas ao corpo. Esta discursividade, sem conotação repressora, abre, cada vez mais, espaço para práticas de liberdade e governo de si em processos de subjetivação do tatuado na contemporaneidade.

Palavras–Chave: Análise do Discurso; Prática da tatuagem; Modos de objetivação/subjetivação

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