segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CORPO, INTERDIÇÃO E HETEROTOPIA: A NUDEZ DO CORPO DA MULHER NO DISCURSO DA PROPAGANDA TURÍSTICA OFICIAL BRASILEIRA

segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Karoline MACHADO (UFPB/PROLING/CIDADI) kalfreire@yahoo.com.br 
Regina BARACUHY (UFPB/PROLING/CIDADI) mrbaracuhy@hotmail.com 


O objetivo geral deste trabalho é analisar por que a nudez do corpo da mulher brasileira é interditada no discurso da propaganda turística institucional e o mesmo não ocorre nesse gênero quando se trata do Carnaval. Os objetivos específicos são: analisar a ação da biopolítica sobre o corpo através dos efeitos de sentido produzidos pela relação entre as materialidades linguística e imagética; verificar as relações de poder que se estabelecem no embate entre a reivindicação, a manutenção, a transformação e a cristalização de identidades; investigar sobre os dispositivos disciplinares e de controle, sobretudo a interdição, que agem sobre o corpo apresentado nas propagandas; discutir a intericonicidade na materialidade do discurso em pauta sob a perspectiva da Semiologia Histórica; analisar sobre a governamentalidade na normatização do corpo da mulher; verificar por que no espaço heterotópico carnavalesco o corpo não é interditado. Utilizam-se, para isso, os pressupostos teóricos da Análise do Discurso, sobretudo com as contribuições dos trabalhos de Michel Foucault e de Jean-Jacques Courtine acerca do corpo e da Semiologia Histórica da imagem. Nosso corpus é composto por trinta propagandas turísticas oficiais do Brasil produzidas pelo Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), em um recorte temporal que vai desde a década de 1970 até o ano de 2015. Para sua análise, utiliza-se do método arqueogenealógico de Michel Foucault. Dentre os resultados da pesquisa, constatou-se que o corpo seminu da mulher brasileira foi interditado na propaganda turística oficial brasileira, como forma de potencializar as campanhas contra o turismo sexual, porém não se observou essa interdição no discurso sobre o Carnaval brasileiro, apontando, assim, duas ordens discursivas para o corpo: numa, o sujeito vive regido por regras, normas e interdições que hierarquizam as relações das pessoas em seu cotidiano; noutra, no período carnavalesco, o sujeito vive em um mundo paradisíaco, livre de amarras, é o momento dos prazeres ilimitados e oníricos. E, então, concluiu-se que, por ser o Carnaval um espaço heterotópico de passagem, a nudez é permitida no tempo e no espaço carnavalesco, ou seja, os sistemas de controle, sobretudo a interdição do corpo da mulher, que perpassam toda a ordem da vida cotidiana, são revogados durante o Carnaval, e essa permissividade abrange, inclusive, o discurso da propaganda turística oficial brasileira.

 Palavras-chave: Análise do Discurso; Corpo; Propaganda turística

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