segunda-feira, 23 de novembro de 2015

GOVERNAMENTALIDADE, BIOPOLÍTICA E BIOPODER: A PRODUÇÃO IDENTITÁRIA PARA O “CORPO VELHO” NOS DISCURSOS DA MÍDIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Emmanuele MONTEIRO (CIDADI) emmanuelemonteiro_jp@yahoo.com.br 
Regina BARACUHY (UFPB /PROLING/CIDADI) mrbaracuhy@hotmail.com 


Neste trabalho investigamos a produção discursiva da Mídia sobre o “corpo velho”. Desenvolvemos nossa pesquisa de Doutorado, tendo como norte o fato de a população brasileira de idosos ter quintuplicado nos últimos trinta anos, em termos quantitativos e qualitativos, o que despertou o interesse de instituições midiáticas pelos sujeitos idosos em razão do consumo aumentado de mercadorias e serviços. Objetivamos analisar o “corpo velho” na mídia brasileira, a fim de explicar como ocorre a relação saber-poder na produção de identidades de inclusão/exclusão que resulta na espetacularização da posição sujeito “superidoso”/ “gerontolescente”, tendo como fio condutor as noções de biopolítica, biopoder e governamentalidade. Fundamentamos nossa pesquisa nos pressupostos teóricos da Análise do Discurso a partir dos diálogos de Michel Pêcheux com Michel Foucault e as contribuições de Jean-Jacques Courtine para o estudo de uma Semiologia Histórica da imagem. A categoria identidade será discutida a partir de Stuart Hall, Tomaz Tadeu da Silva, e Zygmunt Bauman. Nosso corpus é composto por enunciados sobre a velhice, formatados em diversos gêneros – reportagem, propaganda e capas de revista, materializados nas revistas Época, Isto é e Veja. Entre os resultados da pesquisa, constatamos que o corpo, do mesmo modo que a língua e a linguagem, é gerido socialmente, funcionando como matriz produtora de sentidos, dando suporte aos significados. A Mídia produz e reverbera discursos sobre o “corpo velho”, delimitando os espaços e as posições possíveis para o sujeito idoso. As técnicas e tecnologias do biopoder e da biopolítica para o “corpo velho” nos permitem entender que cada movimento do corpo é culturalmente definido, sendo parte constitutiva dos saberes sancionados pelas relações de poder presentes em nossa sociedade. As maneiras como o sujeito idoso utiliza o seu próprio corpo e se dispõe em relação aos corpos dos outros é regulamentada e condicionada pelas condições social e histórica de produção dos saberes. O corpo é construído discursivamente nas revistas supracitadas a partir do controle de fatores como a atividade física, a estética e a ciência; biopoderes do cotidiano que apontam para os sujeitos idosos, as mudanças em seus estilos de vida, levando-os a se inserirem em uma “arte de cuidar de si”. Palavras-chave: Análise do Discurso. Corpo Velho. Mídia.

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