Emmanuele MONTEIRO (CIDADI)
emmanuelemonteiro_jp@yahoo.com.br
Regina BARACUHY (UFPB /PROLING/CIDADI)
mrbaracuhy@hotmail.com
Neste trabalho investigamos a produção discursiva da Mídia sobre o “corpo velho”.
Desenvolvemos nossa pesquisa de Doutorado, tendo como norte o fato de a população brasileira
de idosos ter quintuplicado nos últimos trinta anos, em termos quantitativos e qualitativos, o que
despertou o interesse de instituições midiáticas pelos sujeitos idosos em razão do consumo
aumentado de mercadorias e serviços. Objetivamos analisar o “corpo velho” na mídia brasileira,
a fim de explicar como ocorre a relação saber-poder na produção de identidades de
inclusão/exclusão que resulta na espetacularização da posição sujeito “superidoso”/
“gerontolescente”, tendo como fio condutor as noções de biopolítica, biopoder e
governamentalidade. Fundamentamos nossa pesquisa nos pressupostos teóricos da Análise do
Discurso a partir dos diálogos de Michel Pêcheux com Michel Foucault e as contribuições de
Jean-Jacques Courtine para o estudo de uma Semiologia Histórica da imagem. A categoria
identidade será discutida a partir de Stuart Hall, Tomaz Tadeu da Silva, e Zygmunt Bauman.
Nosso corpus é composto por enunciados sobre a velhice, formatados em diversos gêneros –
reportagem, propaganda e capas de revista, materializados nas revistas Época, Isto é e Veja.
Entre os resultados da pesquisa, constatamos que o corpo, do mesmo modo que a língua e a
linguagem, é gerido socialmente, funcionando como matriz produtora de sentidos, dando
suporte aos significados. A Mídia produz e reverbera discursos sobre o “corpo velho”,
delimitando os espaços e as posições possíveis para o sujeito idoso. As técnicas e tecnologias do
biopoder e da biopolítica para o “corpo velho” nos permitem entender que cada movimento do
corpo é culturalmente definido, sendo parte constitutiva dos saberes sancionados pelas relações
de poder presentes em nossa sociedade. As maneiras como o sujeito idoso utiliza o seu próprio
corpo e se dispõe em relação aos corpos dos outros é regulamentada e condicionada pelas
condições social e histórica de produção dos saberes. O corpo é construído discursivamente nas
revistas supracitadas a partir do controle de fatores como a atividade física, a estética e a
ciência; biopoderes do cotidiano que apontam para os sujeitos idosos, as mudanças em seus
estilos de vida, levando-os a se inserirem em uma “arte de cuidar de si”.
Palavras-chave: Análise do Discurso. Corpo Velho. Mídia.
0 comentários:
Postar um comentário