Maria Eliza Freitas do NASCIMENTO (UERN)
elizamfn@hotmail.com
Regina BARACUHY (UFPB / PROLING / CIDADI)
mrbaracuhy@hotmail.com
Com destaque para a produção dos efeitos de sentido nos discursos, este trabalho explora as
manifestações cotidianas imersas na relação do discurso com a história. Objetivamos analisar os
efeitos de sentidos que circulam no discurso sobre a inclusão do sujeito com deficiência,
observando a construção do corpo atrelada às relações de poder, usando como trajeto temático a
inclusão no mercado de trabalho. Nosso aporte teórico é a Analise do Discurso de vertente
francesa, a partir dos diálogos entre Michel Pêcheux e Michel Foucault. Buscaremos, neste
percurso, mostrar como as práticas discursivas sobre o corpo com deficiência passaram por
transformações que resultam em novas práticas sociais, decorrentes da maneira como o sujeito
com deficiência é discursivizado. O nosso objeto de investigação é o discurso da Revista
Sentidos, uma produção midiática destinada à inclusão da pessoa com deficiência, Como
metodologia, faremos uma pesquisa bibliográfica no campo da Análise do Discurso para marcar
o lugar teórico de Pêcheux e Foucault. Em seguida, realizaremos a análise da materialidade,
observando como as relações de poder oportunizaram a criação de uma tecnologia política do
corpo, por meio dos deslocamentos históricos sofridos pelo corpo com deficiência que sofreu os
efeitos do poder de normalização para ser considerado produtivo e inserido no mercado de
trabalho. Entretanto, o discurso é sempre ligado a procedimentos de controle e seleção do que
pode ser dito. Com isso, é possível perceber um efeito de memória que desloca o corpo com
deficiência do lugar de segregação e anormalidade, para colocá-lo no espaço de visibilidade de
corpo feliz e produtivo, inserido numa nova ordem do discurso. Também é possível perceber as
movências de sentido para a deficiência e o trabalho na materialidade discursiva da Revista
Sentidos que, por ser um suporte midiático, favorece a produção e circulação de enunciados
perpassados por uma ordem do que se pode dizer em uma formação discursiva que dita regras
de comportamento, as quais subjetivam os sujeitos com deficiência, construindo vontades de
verdade, articulando memória e esquecimento, controlando o seu fazer, o seu pensar e o seu
sentir no universo discursivo, no qual o trabalho é considerado um mecanismo de inclusão e
transformação social do corpo com deficiência.
Palavras-Chave: Análise do Discurso; Revista Sentidos; Corpo com deficiência.
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