Karoline MACHADO (UFPB/PROLING/CIDADI)
kalfreire@yahoo.com.br
Regina BARACUHY (UFPB/PROLING/CIDADI)
mrbaracuhy@hotmail.com
O objetivo geral deste trabalho é analisar por que a nudez do corpo da mulher brasileira
é interditada no discurso da propaganda turística institucional e o mesmo não ocorre nesse
gênero quando se trata do Carnaval. Os objetivos específicos são: analisar a ação da biopolítica
sobre o corpo através dos efeitos de sentido produzidos pela relação entre as materialidades
linguística e imagética; verificar as relações de poder que se estabelecem no embate entre a
reivindicação, a manutenção, a transformação e a cristalização de identidades; investigar sobre
os dispositivos disciplinares e de controle, sobretudo a interdição, que agem sobre o corpo
apresentado nas propagandas; discutir a intericonicidade na materialidade do discurso em pauta
sob a perspectiva da Semiologia Histórica; analisar sobre a governamentalidade na
normatização do corpo da mulher; verificar por que no espaço heterotópico carnavalesco o
corpo não é interditado. Utilizam-se, para isso, os pressupostos teóricos da Análise do Discurso,
sobretudo com as contribuições dos trabalhos de Michel Foucault e de Jean-Jacques Courtine
acerca do corpo e da Semiologia Histórica da imagem. Nosso corpus é composto por trinta
propagandas turísticas oficiais do Brasil produzidas pelo Instituto Brasileiro de Turismo
(EMBRATUR), em um recorte temporal que vai desde a década de 1970 até o ano de 2015.
Para sua análise, utiliza-se do método arqueogenealógico de Michel Foucault. Dentre os
resultados da pesquisa, constatou-se que o corpo seminu da mulher brasileira foi interditado na
propaganda turística oficial brasileira, como forma de potencializar as campanhas contra o
turismo sexual, porém não se observou essa interdição no discurso sobre o Carnaval brasileiro,
apontando, assim, duas ordens discursivas para o corpo: numa, o sujeito vive regido por regras,
normas e interdições que hierarquizam as relações das pessoas em seu cotidiano; noutra, no
período carnavalesco, o sujeito vive em um mundo paradisíaco, livre de amarras, é o momento
dos prazeres ilimitados e oníricos. E, então, concluiu-se que, por ser o Carnaval um espaço
heterotópico de passagem, a nudez é permitida no tempo e no espaço carnavalesco, ou seja, os
sistemas de controle, sobretudo a interdição do corpo da mulher, que perpassam toda a ordem da
vida cotidiana, são revogados durante o Carnaval, e essa permissividade abrange, inclusive, o
discurso da propaganda turística oficial brasileira.
Palavras-chave: Análise do Discurso; Corpo; Propaganda turística